A geometria das bikes de triatlon

Resistência

Apesar de recente, desde sua criação, o triatlo evoluiu muito em relação ao número de praticantes, às distâncias das competições disputadas e, é claro, ao desenvolvimento tecnológico de seus materiais. Destes, o mais relevante e considerado determinante para um bom resultado, sem dúvida é a bicicleta.

No início, as bikes de triatlo eram provenientes exclusivamente do ciclismo de estrada, uma vez que não havia interesse econômico na criação de um modelo específico para triatletas. Como naquela época a etapa de ciclismo nas competições era realizada sem a permissão do ′vácuo′ (uso do ciclista à frente para diminuir a resistência do ar), os modelos mais utilizados foram os de contra-relógio, ou time-trial, acrescidos de um longo clip à frente do guidão.

Com o passar dos anos, através da disseminação da modalidade, deu-se início a uma corrida tecnológica visando maximizar o desempenho destes atletas. Paralelamente, o triatlo se difundiu, principalmente através de distâncias mais curtas como a atualmente conhecida distância olímpica. Os percursos passaram a ser mais técnicos e a exigir bicicletas mais ágeis e compactas que as até então utilizadas no contra-relógio.

No início dos anos 90, com a liberação do vácuo nas etapas do circuito mundial, o ciclismo perdeu seu brilho, sendo considerado uma etapa de transição entre a natação e a corrida, com secundária influência sobre o resultado final.

Entretanto, nos últimos anos, a ITU (International Triatlhon Union) valorizando novamente esta etapa, criou competições, desde os Jogos Olímpicos de Sidney, com percursos mais seletivos, incluindo curvas fechadas e subidas íngremes, forçando assim a quebra dos enormes pelotões comumente formados neste tipo de prova.

Assim, devido maior à exposição dos atletas à resistência do ar, as bikes de time-trial voltaram a ganhar espaço, inclusive em distâncias mais curtas, não ficando restritas apenas às competições tradicionais como o ironman.

Através de modificações tecnológicas como o corte traseiro no seat-tube , os quadros TT ( time-trial ) constituem hoje uma bicicleta compacta, com o comprimento total entre as rodas mais aproximado. Neles, a resposta de aceleração nas retomadas de curva, bem como a agilidade e a dirigibilidade do equipamento, tornam-se aumentados. E ainda, como principal vantagem, os quadros TT, devido à geometria verticalizada do seat-tube , segundo estudos científicos, seria capaz de proporcionar benefícios ergonômicos como uma menor freqüência cardíaca e um menor consumo de oxigênio para uma mesma carga. Além disso, devido à posição anteriorizada do atleta, mesmo com o uso do clip, os quadros TT podem impedir uma flexão exagerada do quadril, minimizando efeitos negativos como a compressão do diafragma.

Entretanto, apesar dos benefícios citados acima, ainda são necessários novos estudos, complexos e mais específicos para de fato comprovar a eficácia de rendimento do uso destas bicicletas em competições de triatlo, para dessa forma, melhorar ainda mais o rendimento de nossos atletas.



.: Sérgio Bunioto , Diretor e treinador da BK Sports assessoria esportiva

.: Bacharel em Esporte pela USP especialista em fisiologia do exercício (UNIFESP)

.: Ex-atleta profissional de triathlon

.: sergio@bksports.com.br

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