{"id":5232,"date":"2021-12-02T08:44:18","date_gmt":"2021-12-02T11:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/?p=5232"},"modified":"2021-12-02T08:44:18","modified_gmt":"2021-12-02T11:44:18","slug":"especializacao-precoce-em-jogadores-de-futebol-um-ponto-de-vista-a-partir-de-um-periodo-de-atuacao-na-holanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/futebol\/especializacao-precoce-em-jogadores-de-futebol-um-ponto-de-vista-a-partir-de-um-periodo-de-atuacao-na-holanda\/","title":{"rendered":"Especializa\u00e7\u00e3o precoce em jogadores de futebol \u2013 um ponto de vista a partir de um per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o na Holanda."},"content":{"rendered":"\n<p>Devido ao interesse em participar do F\u00f3rum SESI: Especializa\u00e7\u00e3o Esportiva Precoce \u2013 2005, elaborei um texto no qual discutia o assunto a partir de reflex\u00f5es baseadas em uma experi\u00eancia de seis meses nas categorias de base do NEC\u2013Nijmegen, um clube da primeira divis\u00e3o holandesa de Futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo do interesse que este artigo poderia despertar nos leitores do TE.com procurei adaptar a discuss\u00e3o para que o texto se tornasse mais interessante aos leitores deste \u201csite\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Especializa\u00e7\u00e3o Precoce (EP) \u00e9 um processo que vem sendo a tempos discutido por especialistas em treinamento esportivo, e conseq\u00fcentemente no meio futebol\u00edstico. Comumente, ao se discutir EP, s\u00e3o mais enfatizados aspectos negativos relacionados \u00e0 sobrecarga f\u00edsica imposta a jovens atletas que ainda n\u00e3o est\u00e3o aptos a receber tais cargas de treino, e assim muitas vezes s\u00e3o acometidos de les\u00f5es cr\u00f4nicas que impedem que os atletas possam seguir praticando atividades de alto rendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 bastante discutido o fato de jovens atletas estarem desde muito cedo especializados em determinada fun\u00e7\u00e3o, no caso dos jovens jogadores de futebol, limitando\u2013os a uma posi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dentro da equipe, o que, certamente, pode limitar suas possibilidades de a\u00e7\u00e3o no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo bem caracter\u00edstico deste acontecimento \u00e9 o fato de muitos treinadores optarem por relacionar alguns jovens jogadores, que se apresentam em est\u00e1gios de crescimento mais avan\u00e7ados que a m\u00e9dia para a categoria, para jogarem exclusivamente de atacantes aproveitando da maior for\u00e7a adquirida com o crescimento. Por\u00e9m, mesmo com todo \u00eaxito conseguido na juventude, muitos destes jogadores falham em idades mais avan\u00e7adas, por n\u00e3o serem capazes de atuar contra jogadores que apresentam n\u00edveis de for\u00e7a equiparados ou mesmo superiores \u2013 uma realidade nas idades mais avan\u00e7adas e nos profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o principal objetivo deste texto \u00e9 discutir as ocorr\u00eancias da EP em jovens jogadores holandeses num determinado estilo de jogo de futebol. Neste caso, o estilo de jogo adotado pelo clube e, de um modo geral, adotado tamb\u00e9m pela maioria dos clubes holandeses. Vale ressaltar que <strong>todos<\/strong> no clube tinham grande preocupa\u00e7\u00e3o em n\u00e3o especializar precocemente jogadores em determinada posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma melhor compreens\u00e3o do problema \u00e9 importante discutir um pouco sobre o estilo de jogo holand\u00eas. O jogo 11&#215;11 holand\u00eas, principalmente nas categorias de base, onde n\u00e3o h\u00e1 ainda a presen\u00e7a maci\u00e7a de jogadores estrangeiros, nos remete a um jogo brasileiro em \u201c2 toques\u201d. Isto ocorre devido \u00e0 velocidade na troca de passes e na movimenta\u00e7\u00e3o dos jogadores. No estilo de jogo observado, a capacidade de manuten\u00e7\u00e3o da posse de bola \u00e9 executada atrav\u00e9s de trocas de passes r\u00e1pidos entre os jogadores da equipe, j\u00e1 no Brasil, os jogadores utilizam, e muito, de recursos t\u00e9cnicos individuais para que a equipe mantenha a posse de bola. O estilo de jogo holand\u00eas exige dos jogadores excelente capacidade de execu\u00e7\u00e3o do passe, constante ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e desmarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, devido ao objetivo de formar jogadores com as caracter\u00edsticas descritas anteriormente, foi poss\u00edvel observar, desde categorias como a sub 13 e sub 12, uma grande preocupa\u00e7\u00e3o no treinamento t\u00e9cnico do passe e tamb\u00e9m na aplica\u00e7\u00e3o deste fundamento no contexto do jogo 11&#215;11 \u2013 esta por sinal \u00e9 uma caracter\u00edstica bastante positiva no treinamento. Ou seja, h\u00e1 sempre a busca pela transposi\u00e7\u00e3o do que \u00e9 aprendido em treinos t\u00e9cnicos para o jogo, fato que infelizmente \u00e9 esquecido por muitos treinadores, que selecionam exerc\u00edcios para o treinamento t\u00e9cnico, aplicam estes exerc\u00edcios e depois exigem que os atletas utilizem os recursos aprendidos sem criar meios para que os jogadores fa\u00e7am a transposi\u00e7\u00e3o para o jogo. Vale ressaltar que nem sempre os jogadores que apresentam maior repert\u00f3rio t\u00e9cnico s\u00e3o os melhores jogadores, isto ocorre principalmente, pois estes jogadores n\u00e3o serem capazes de aplicar com sucesso seus recursos t\u00e9cnicos ao jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel observar a grande utiliza\u00e7\u00e3o de jogos reduzidos para tentar estimular as capacidades de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e desmarca\u00e7\u00e3o. Estes exerc\u00edcios apresentavam na maioria das vezes, al\u00e9m de regras espec\u00edficas, superioridade num\u00e9rica para a equipe em posse de bola, favorecendo assim o jogo r\u00e1pido e de troca de passes. Durante estes exerc\u00edcios os jovens atletas eram sempre confrontados e questionados sobre as possibilidades de a\u00e7\u00e3o que melhor favoreceriam o estilo de jogo adotado, numa tentativa de otimizar o entendimento destas mesmas possibilidades de a\u00e7\u00e3o. \u00c9 de se destacar tamb\u00e9m a busca pela transposi\u00e7\u00e3o do que \u00e9 aprendido nos jogos reduzidos para o jogo 11&#215;11.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Algumas conclus\u00f5es, referentes a esta tem\u00e1tica, que eu pude tomar deste per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o no NEC\u2013Nijmegen s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 A metodologia empregada estimulava o desenvolvimento de jogadores capazes de jogar em alta velocidade com as caracter\u00edsticas idealizadas pelos treinadores, ou seja, h\u00e1 objetivos bastante definidos e h\u00e1 busca pela obten\u00e7\u00e3o destes objetivos. Acredito ser importante destacar este ponto, pois acredito que um dos principais males de um programa de treinamento \u00e9 a falta de objetivos bem definidos e tamb\u00e9m a falta de meios bem estruturados para se tentar atingir os objetivos \u2013 quando estes existem;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Os jogadores idealizados pelo clube, ou seja, capazes de jogar seguindo o modelo de jogo adotado, apresentavam grande dificuldade em atuar num contexto de 1&#215;1 com maior press\u00e3o. Isto provavelmente ocorria, pois, em todo o processo de forma\u00e7\u00e3o, estes jogadores foram estimulados a optar pelo passe em detrimento de optar pelo enfrentamento 1&#215;1, quando o objetivo do momento era a manuten\u00e7\u00e3o da posse de bola, desta maneira, n\u00e3o desenvolveram meios para enfrentar estas situa\u00e7\u00f5es como fizeram para atuar seguindo o estilo de jogo adotado pelo clube. Podemos constatar que, para suplantar esta \u201cdefici\u00eancia\u201d citada anteriormente, muitos clubes utilizam nas equipes profissionais jogadores oriundos da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 O estilo de jogo citado est\u00e1 t\u00e3o arraigado na cultura holandesa que alguns treinadores com quem trabalhei reconhecem o problema mas enfrentam grande resist\u00eancia para uma poss\u00edvel mudan\u00e7a. Esta resist\u00eancia vem dos pr\u00f3prios jovens jogadores, dos pais, dos clubes, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de ressaltar que o objetivo deste texto n\u00e3o foi comparar qual metodologia de trabalho, a brasileira ou a holandesa, \u00e9 a melhor. O objetivo deste texto foi apenas ilustrar uma realidade de trabalho diferente da nossa e discutir como alguns problemas pertinentes ao nosso trabalho ocorrem num contexto diferente ao contexto brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/fmota3x4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"204\" height=\"253\" src=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/fmota3x4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-583\" title=\"fmota3x4\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><br><br>.: <strong>Felipe Mota<\/strong>, Mestre em Ci\u00eancias do Desporto, na especialidade de Treino de Alto Rendimento Desportivo da Universidade do Porto (Portugal).<\/p>\n\n\n\n<p>.: Bacharel em Esporte pela USP<\/p>\n\n\n\n<p>.: Experi\u00eancia em treinamento de equipes no Brasil e na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p>.: felipesaojose@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido ao interesse em participar do F\u00f3rum SESI: Especializa\u00e7\u00e3o Esportiva Precoce \u2013 2005, elaborei um texto no qual discutia o assunto a partir de reflex\u00f5es baseadas em uma experi\u00eancia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5233,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-5232","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-futebol","clearfix"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5232"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5234,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232\/revisions\/5234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}