{"id":2627,"date":"2013-04-29T19:02:23","date_gmt":"2013-04-29T22:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/?p=2627"},"modified":"2013-04-30T02:49:30","modified_gmt":"2013-04-30T05:49:30","slug":"medicina-esportiva-a-canelite-pode-arruinar-seu-treino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/medicina-esportiva\/medicina-esportiva-a-canelite-pode-arruinar-seu-treino\/","title":{"rendered":"Medicina Esportiva: A canelite pode arruinar seu treino!"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/canelite.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2628 alignright\" style=\"margin: 5px;\" alt=\"canelite\" src=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/canelite.jpg\" width=\"208\" height=\"242\" \/><\/a>A S\u00edndrome do estresse tibial medial tamb\u00e9m conhecida como periostite tibial ou canelite \u00e9 uma les\u00e3o comum em mulheres. Esta condi\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada por dor no ter\u00e7o inferior e de dentro da canela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A les\u00e3o \u00e9 causada por trauma por esfor\u00e7o repetido no tecido conjuntivo que envolve o osso da t\u00edbia, conhecido como peri\u00f3steo. Ignorar esta les\u00e3o pode agravar os sintomas ou resultar em uma condi\u00e7\u00e3o mais grave, como uma fratura por estresse dos ossos da perna.<\/p>\n<p><strong>Quais os riscos de eu desenvolver a les\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estatisticamente, os fatores de risco para o desenvolvimento de Shin splint em corredoras incluem: \u00a0treino de corrida inadequados, fraqueza dos m\u00fasculos anteriores da perna, em especial do m\u00fasculo tibial anterior, principal supinador na fase apoio medio da corrida, desequil\u00edbrio entre os m\u00fasculos anteriores e posteriores da perna, muitas vezes causado pelo uso excessivo de salto alto no dia-a-dia, inflexibilidade e rigidez dos m\u00fasculos gastrocn\u00eamio, s\u00f3leo, e os m\u00fasculos plantares (comumente o flexor longo dos dedos). Alguns autores tamb\u00e9m atribuem tamb\u00e9m como fator de risco aumentos repentinos da atividade f\u00edsica, incluindo intensidade e dura\u00e7\u00e3o fazendo com que os m\u00fasculos fiquem incapazes de absorver o impacto da for\u00e7a de choque ao solo, e tamb\u00e9m, comprometendo a capacidade de remodela\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, principalmente em mulheres com hist\u00f3ria previa de osteopenia ou osteoporose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de \u00a0t\u00eanis \u00a0inadequado, inclusive t\u00eanis muito velhos tamb\u00e9m podem contribuir para dores nas canelas. Mulheres que possuem pisada pronada s\u00e3o particularmente propensas a desenvolver a doen\u00e7a, principalmente quando associada `a fraqueza do m\u00fasculo tibial anterior, pois, a a falta de supina\u00e7\u00e3o do p\u00e9, associada\u00a0 `a rota\u00e7\u00e3o interna excessiva da t\u00edbia na fase de propuls\u00e3o levaria tamb\u00e9m ao acumulo de carga na face interna da perna, desencadeando a les\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas, por que d\u00f3i?<br \/>\n<\/strong>Alguns autores acreditam que esta dor seja causada por ruptura de fibras de Sharpey que ligam a f\u00e1scia medial do m\u00fasculo s\u00f3leo. A F\u00e1scia \u00e9 um tecido fibroso conectivo que recobre grupos musculares ao peri\u00f3steo da t\u00edbia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diagnostico<br \/>\n<\/strong>\u00a0A canelite \u00a0geralmente ocorre no final do treino e melhora ao repouso, aplica\u00e7\u00e3o de gelo local ou uso de analg\u00e9sicos e antiinflamatorios. No entanto, o in\u00edcio pode ocorrer tamb\u00e9m durante o inicio do exerc\u00edcio. A apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica t\u00edpica desta condi\u00e7\u00e3o envolve dor `a palpa\u00e7\u00e3o local e, as vezes,\u00a0 incha\u00e7o. \u00a0Se a corredora erroneamente associa a dor a um \u201cevento comum\u201d a corredores ou simplesmente tenta ignora-la, pode haver \u00a0progress\u00e3o \u00a0e a dor pode permanecer durante todo o treinamento ou durante a atividade de baixa intensidade e pode, inclusive continuar em repouso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exame de escolha para o diagnostico \u00e9 a resson\u00e2ncia nuclear magn\u00e9tica da perna, que frequentemente mostra o espessamento do peri\u00f3steo da regi\u00e3o da dor. O principal diagnostico diferencial desta les\u00e3o \u00e9 a fratura de estresse, observada na resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, cintilografia \u00f3ssea de 3-fases e radiografias simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recomenda-se tamb\u00e9m o exame de densitometria \u00f3ssea e a avalia\u00e7\u00e3o de um endocrinologista para se descartar doen\u00e7as do metabolismo \u00f3sseo, principalmente nas corredoras que alto rendimento devido ao risco de uma progress\u00e3o para uma fratura de estresse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras les\u00f5es cr\u00f4nicas que podem mimetizar a canelite incluem a s\u00edndrome compartimental cr\u00f4nica de esfor\u00e7o, compress\u00e3o do nervo tibial e a s\u00edndrome do aprisionamento da art\u00e9ria popl\u00edtea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tratamento<br \/>\n<\/strong>A canelite deve ser tratada inicialmente com gelo e antiinflamat\u00f3rios n\u00e3o ester\u00f3ides, para reduzir a inflama\u00e7\u00e3o, seguida de fisioterapia que objetiva a redu\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o e reequil\u00edbrio da musculatura a fim de se prevenir a recidiva da les\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Devo parar de correr?<br \/>\n<\/strong>Para a cura, recomenda-se o descanso que vai de uma semana o at\u00e9 3 meses. Tudo isso depender\u00e1 dos sintomas e do desequil\u00edbrio muscular encontrado durante o exame f\u00edsico. Para os raros casos mais graves, recomenda-se muletas.\u00a0Para os casos mais leves que, felizmente s\u00e3o a grande maioria, recomenda-se a diminuir a dura\u00e7\u00e3o ou a intensidade do seu exerc\u00edcio e, em seguida, construir-se lentamente, um novo treino, de prefer\u00eancia sob a supervis\u00e3o do fisioterapeuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cal\u00e7ados e palmilhas apropriados s\u00e3o tamb\u00e9m necess\u00e1rios para se evitar a recidiva da les\u00e3o. Recomenda-se a realiza\u00e7\u00e3o de baropodometria, popularmente conhecido como \u201cteste de pisada\u201d para a detec\u00e7\u00e3o de pisadas patol\u00f3gicas, principalmente a prona\u00e7\u00e3o excessiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos casos refratarios e em recidivas podem incluir terapia de ondas de choque extracorp\u00f3reas, m\u00e9todo mais comummente\u00a0 usado para tratar tendinopatias dos membros inferiores. Alguns autores recomendam tamb\u00e9m a infiltra\u00e7\u00e3o local com cortisona, analg\u00e9sicos e plasma rico em plaquetas (PRP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m as op\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. Estas s\u00e3o reservados para casos que n\u00e3o respondem ao tratamento conservador, incluindo \u201cFasciotomia Posterior\u201d, t\u00e9cnica que envolve a libera\u00e7\u00e3o do tecido fibroso conectivo denominado \u201cf\u00e1scia\u201d, que recobre grupos musculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ser uma les\u00e3o comum e de aparente f\u00e1cil resolu\u00e7\u00e3o, a canelite ou shin splint pode afastar a corredora por um longo per\u00edodo e comprometer a performance cardio-respiratoria. Por isso, assim como em outras les\u00f5es, a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor sa\u00edda. E isso envolve o conhecimento da composi\u00e7\u00e3o corporal atrav\u00e9s de um check up que envolva o aparelho locomotor, seguido do trabalho de fortalecimento, reequil\u00edbrio e melhoria da flexibilidade muscular sob a supervis\u00e3o de um educador f\u00edsico que entenda da biomec\u00e2nica da corrida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Referencias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Galbraith, M, &amp; Lavallee, M. (2009). Medial tibial stress syndrome: conservative treatment options. 2(3):127\u2013133. Retrieved from Pubmed<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Craig, D. I. (2008). Medial Tibial Stress Syndrome: Evidence-Based Prevention. Journal of Athletic Training, 43(3), 316-318. Retrieved from EBSCOhost.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Yates, B., White, S. (2004). The incidence and risk factors in the development of medial tibial stress syndrome among naval recruits. American Journal of Sports Medicine, 32(3), 772-780. Brukner, P. (2000). Exercise-related lower leg pain: An overview. Medicine and Science in Sports and Exercise, 32(3), pS1-S3<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bennett J. E.Reinking M. F., Pluemer B., et al. (2001). Factors contributing to the development of medial tibial stress syndrome in high school runners. This could cause pain along the shin. Journal of Orthopedic and Sports Physical Therapies, 31, 504-510.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Haycock C. E., Gillette J. V. (1976). Susceptibility of women athletes to injury: Myths vs. reality. Journal of the American Medical Association, 236(2), 163 \u2013 165.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Carr, K., &amp; Sevetson, E. (2008). How can you help athletes prevent and treat shin splints? Journal of Family Practice, 57(6), 406-408. Retrieved from EBSCOhost.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Edwards Jr., P. H., Wright, M. L., &amp; Hartman, J. F. (2005). A Practical Approach for the Differential Diagnosis of Chronic Leg Pain in the Athlete.American Journal of Sports Medicine, 33(8), 1241-1249.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Clement D., Taunton J., Smart G. (1981). A survey of overuse running injuries. The Physician and Sports Medicine, 9, 47-58.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cox J. S., Lenz H. W. (1984). Women midshipmen in sports. American Journal of Sports Medicine, 12(3), 241 \u2013 243.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Taunton J. E., McKenzie D. C., Clement D. B. (1988). The role of biomechanics in the epidemiology of injuries. Sports Medicine, 6, 107-120.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Almeida S., Trone D., Leone D., Shaffer R., et al. (1999). Gender differences in musculoskeletal injury rates: A function of symptom reporting?. Medicine and Science in Sports and Exercise, 31, 1807-1812.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"author-info\">\n<div id=\"author-avatar\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"margin: 5px;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.gravatar.com\/avatar\/7cef0cea8a308752a28ca4ac5de20d29?s=83&amp;d=http%3A%2F%2F1.gravatar.com%2Favatar%2Fad516503a11cd5ca435acc9bb6523536%3Fs%3D83&amp;r=G\" width=\"83\" height=\"83\" \/><\/div>\n<div id=\"author-description\">\n<h4>Dr. Adriano Leonardi<\/h4>\n<p><em id=\"__mceDel\">Medico ortopedista especialista em cirurgia do joelho e traumatologia do esporte. Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de Sao Paulo<\/em><\/p>\n<p>artigo retirado de:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.adrianoleonardi.com.br\/\">http:\/\/www.adrianoleonardi.com.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A S\u00edndrome do estresse tibial medial tamb\u00e9m conhecida como periostite tibial ou canelite \u00e9 uma les\u00e3o comum em mulheres. 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