{"id":2102,"date":"2011-09-06T01:30:43","date_gmt":"2011-09-06T04:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/?p=2102"},"modified":"2011-10-10T15:34:12","modified_gmt":"2011-10-10T18:34:12","slug":"acido-latico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/fisiologia\/acido-latico\/","title":{"rendered":"As verdades sobre o \u00c1cido L\u00e1ctico!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/corrida1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2103 alignright\" style=\"margin: 5px;\" title=\"corrida1\" src=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/corrida1.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/corrida1.jpg 640w, https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/corrida1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Esse texto \u00e9 uma resposta ao artigo anterior postado aqui no site sobre o \u00e1cido \u00e1ctico. Com o compromisso de levar a melhor informa\u00e7\u00e3o aos profissionais da \u00e1rea, verificamos que realmente haviam falhas no artigo precedente e em fun\u00e7\u00e3o desse erros apontados por voc\u00eas resolvemos postar aqui a resposta &#8211; clara e muita elucidativa &#8211; sobre o tema dos colegas do LABEX-Unicamp. Melhor fonte e autoridade na \u00e1rea sobre o tema acho dif\u00edcil encontrar. Agradecemos pelas informa\u00e7\u00f5es e a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Vamos tormas mais cuidado com a avalia\u00e7\u00e3o dos artigos. Forte abra\u00e7o e boa leitura!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s alguma vez na vida j\u00e1 ouvimos ou lemos algumas dessas frases:<br \/>\n\u2022 O \u00e1cido l\u00e1tico causa dores e fadiga!<br \/>\n\u2022 Quem produz mais \u00e1cido l\u00e1tico cansa mais r\u00e1pido e ter\u00e1 c\u00e2imbras e dores!<br \/>\n\u2022 Precisamos fazer um treinamento de toler\u00e2ncia ao \u00e1cido l\u00e1tico!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seja na academia, jornais ou em revistas, o conceito de que o \u00e1cido l\u00e1tico \u00e9 um composto mal\u00e9fico produzido pelo nosso organismo \u00e9 extremamente difundido no meio esportivo, e tido como uma verdade absoluta. Veremos nesse artigo algumas das mais recentes evid\u00eancias liter\u00e1rias que podem colocar em d\u00favida esse paradigma da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<br \/>\nSegundo Robergs (2002), em pH fisiol\u00f3gico (7.4) n\u00e3o existe a forma \u00e1cida deste produto provindo da utiliza\u00e7\u00e3o de glicose (glicog\u00eanio) como fonte de energia anaer\u00f3bica, existindo assim somente o LACTATO. Assim, uniformizaremos nossa discuss\u00e3o daqui em diante sobre o termo LACTATO. O LACTATO pode utilizado como combust\u00edvel energ\u00e9tico nas mitoc\u00f4ndrias de m\u00fasculos esquel\u00e9ticos, card\u00edacos, al\u00e9m de f\u00edgado e c\u00e9rebro, entretanto, durante o exerc\u00edcio f\u00edsico (ou qualquer outra atividade), nossos m\u00fasculos necessitam de energia para trabalhar, assim, o ATP \u00e9 a energia necess\u00e1ria para contrair nossos m\u00fasculos e assim produzir o movimento. Ao \u201cquebrar\u201d o ATP, produzimos energia e pr\u00f3tons (H+). Ent\u00e3o, podemos notar que constantemente estamos produzindo H+, no entanto, a grande diferen\u00e7a \u00e9 a quantidade produzida, ou seja, a quantidade de ATP necess\u00e1ria para a atividade f\u00edsica em quest\u00e3o. Quanto maior a necessidade de \u201cquebra\u201d de ATP, maior a produ\u00e7\u00e3o de H+. Essa quantidade produzida de H+ \u00e9 quem ir\u00e1 determinar a acidose ou n\u00e3o de um meio, no nosso caso, o m\u00fasculo. Quanto maior a concentra\u00e7\u00e3o de H+ mais baixo \u00e9 o pH,deixando o meio mais \u00e1cido, o que desfavorece a atividade de enzimas chaves para o fornecimento de energia. Por\u00e9m, nosso organismo \u00e9 fant\u00e1stico e muito esperto, para que esta concentra\u00e7\u00e3o de H+ desfavore\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o de energia, ele possui alguns agentes que possuem a caracter\u00edstica de \u201cconsumir\u201d esses H+, mantendo o pH muscular e sangu\u00edneo em valores normais e compat\u00edveis com a nossa vida.<br \/>\nCaso esses agentes n\u00e3o estiverem trabalhando corretamente, ou sua concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente para dar conta de todos os H+ produzidos, a\u00ed sim o nosso organismo come\u00e7a a entrar em acidose, podendo assim interromper a atividade precocemente.<br \/>\nAssim podemos observar que n\u00e3o \u00e9 o LACTATO o causador da acidose, muito menos da fadiga, e sim a t\u00e3o necess\u00e1ria \u201cquebra\u201d do ATP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACTATO \u00c9 PRODUZIDO NA AUS\u00caNCIA DE OXIG\u00caNIO?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para discutirmos esse ponto, \u00e9 necess\u00e1rio entendermos a l\u00f3gica do fornecimento de energia que o nosso organismo possui na condi\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio f\u00edsico.<br \/>\nPor exemplo, a quantidade de energia (ATP) necess\u00e1ria para completar uma caminhada de 100 metros, \u00e9 muito menor, do que a quantidade de energia necess\u00e1ria para completar os mesmos 100 metros em velocidade m\u00e1xima.<br \/>\nDurante a caminhada, a necessidade de fornecimento de energia \u00e9 muito mais \u201clenta\u201d, utilizamos assim, os \u00e1cidos graxos para fornec\u00ea-la. A utiliza\u00e7\u00e3o dos \u00e1cidos graxos como fonte de energia exige a necessidade de ativa\u00e7\u00e3o de enzimas presentes na mitoc\u00f4ndria, sendo indispens\u00e1vel a presen\u00e7a de oxig\u00eanio para que ocorram. Tudo isso torna essa via mais longa e mais complexa (por isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil \u201cqueimar\u201d gordura).<br \/>\nJ\u00e1 durante o tiro em intensidade m\u00e1xima na mesma dist\u00e2ncia a necessidade de energia \u00e9 muito mais r\u00e1pida, nosso organismo assim, lan\u00e7a m\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da \u201cquebra\u201d da glicose (glicog\u00eanio) de forma anaer\u00f3bica, uma via mais r\u00e1pida, pela simplicidade das rea\u00e7\u00f5es e efici\u00eancia no fornecimento de energia. Assim, n\u00e3o \u00e9 a falta de oxig\u00eanio que leva nosso organismo a utilizar a glicose (formando LACTATO) para fornecer energia, mas sim a necessidade e velocidade com que esse ATP \u00e9 requerido pelo exerc\u00edcio.<br \/>\nUTILIZA\u00c7\u00c3O DO LACTATO COMO FONTE DE ENERGIA PELOS OUTROS TECIDOS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas como o LACTATO pode ser utilizado por cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado e c\u00e9rebro e m\u00fasculos adjacentes (vizinhos)???<br \/>\nPara alcan\u00e7ar a corrente sangu\u00ednea e assim chegar a esses destinos, o LACTATO sai da musculatura esquel\u00e9tica, onde \u00e9 produzido, atrav\u00e9s de transportadores prot\u00e9icos que se encontram na membrana muscular chamados de MCT (Transportadores de Monocarboxilatos) (Brooks, 1999). Durante este processo de sa\u00edda, os MCT\u2019s \u201centendem\u201d que o LACTATO s\u00f3 poder\u00e1 sair da musculatura com a companhia (co-transporte) de pr\u00f3tons (H+). Como j\u00e1 mostramos anteriormente, a produ\u00e7\u00e3o de H+ \u00e9 advinda da \u201cquebra\u201d do ATP, nossa \u201cmoeda energ\u00e9tica\u201d, e n\u00e3o advindas do \u201c\u00c1CIDO L\u00c1TICO\u201d.<br \/>\nVoc\u00eas devem estar se perguntando\u2026Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bom quebrar ATP, pois, este aumentar\u00e1 a concentra\u00e7\u00e3o de pr\u00f3tons, certo? Certo se nosso organismo n\u00e3o fosse t\u00e3o encantador como \u00e9, pois, para n\u00e3o deixar de \u201cquebrar\u201d ATP e ao mesmo tempo continuar a fazer a atividade f\u00edsica, os agentes que \u201cconsomem\u201d H+ estar\u00e3o dispostos \u00e0 manter o pH em n\u00edveis normais. E o LACTATO n\u00e3o \u00e9 um agente que \u201cconsome\u201d esses H+, mas faz fun\u00e7\u00e3o de um deles, ajudando na retirada desses pr\u00f3tons de dentro da c\u00e9lula por meio dos MCT\u2019s.<br \/>\nAgradecemos a oportunidade de contribuirmos com essa discuss\u00e3o e esperamos que o que escrevemos possa esclarecer ainda mais tanto os leitores leigos, quanto os companheiros da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica durante os treinamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucas Samuel Tessutti; Thiago Fernando Louren\u00e7o; Charles Ricardo Lopes; Bernardo Neme Ide \u2013 Laborat\u00f3rio de Bioqu\u00edmica do Exerc\u00edcio \u2013 LABEX \u2013 UNICAMP<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contato para cursos e palestras:<br \/>\nProf. Lucas Samuel Tessutti \u2013\u00a0<a href=\"mailto:lucas_tessutti@yahoo.com.br\">lucas_tessutti@yahoo.com.br<\/a><br \/>\nProf. Thiago Fernando Louren\u00e7o \u2013\u00a0<a href=\"mailto:thiago_fl@yahoo.com.br\">thiago_fl@yahoo.com.br<\/a><br \/>\nProf. Charles Ricardo Lopes \u2013\u00a0<a href=\"mailto:Charles_ricardo@hotmail.com\">Charles_ricardo@hotmail.com<\/a><br \/>\nProf. Bernardo Neme Ide \u2013\u00a0<a href=\"mailto:bernardo_311@hotmail.com\">bernardo_311@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse texto \u00e9 uma resposta ao artigo anterior postado aqui no site sobre o \u00e1cido \u00e1ctico. 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