{"id":1372,"date":"2010-07-30T17:58:10","date_gmt":"2010-07-30T20:58:10","guid":{"rendered":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/?p=1372"},"modified":"2010-07-30T17:58:10","modified_gmt":"2010-07-30T20:58:10","slug":"overtraining","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/index.php\/fisiologia\/overtraining\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome do excesso de treinamento (overtraining)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Fatigue_Opener.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1375\" style=\"margin: 5px;\" title=\"Fatigue_Opener\" src=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Fatigue_Opener-207x300.jpg\" alt=\"\" width=\"145\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Fatigue_Opener-207x300.jpg 207w, https:\/\/treinamentoesportivo.com\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Fatigue_Opener.jpg 294w\" sizes=\"auto, (max-width: 145px) 100vw, 145px\" \/><\/a>Atletas de alto rendimento t\u00eam sido cada vez mais exigidos fisicamente, o que t\u00eam provocado uma alta incid\u00eancia de preju\u00edzos causados a sa\u00fade dos mesmos. Neste sentido, muito tem se falado sobre a s\u00edndrome do excesso de treinamento, conhecido tamb\u00e9m como <em>overtraining<\/em> (Rohlfs et al 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>overtraining<\/em> pode ser caracterizado por altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, redu\u00e7\u00e3o da <em>performance<\/em>, alta incid\u00eancia de les\u00f5es musculares, infec\u00e7\u00f5es virais e bacterianas decorrentes da m\u00e1 funcionalidade do sistema imune, dores musculares, fadiga cr\u00f4nica, altera\u00e7\u00f5es no estado de humor, presen\u00e7a de fadiga constante, ins\u00f4nia, m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros sintomas (Rohlfs et al 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rohlfs et al 2005 citam que existem fatores externos que podem desencadear em um quadro de overtraining, como um n\u00famero elevado de competi\u00e7\u00f5es durante uma temporada, intervalos de recupera\u00e7\u00e3o inadequados entre as sess\u00f5es de treinamento, uma excessiva expectativa de resultados por parte de treinadores ou familiares, o ambiente social do atleta, problemas de car\u00e1ter pessoais, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, fatores ambientais (altitude, temperatura e umidade). Estes mesmos autores citam ainda que a s\u00edndrome do excesso de treinamento \u00e9 definida como um dist\u00farbio neuroend\u00f3crino no qual a serotonina parece ter um importante papel nesta fisiologia ao lado de outros neurotransmissores. Neste sentido, a redu\u00e7\u00e3o do conte\u00fado de glicog\u00eanio muscular, e conseq\u00fcente deple\u00e7\u00e3o dos estoques de energia, podem estimular a oxida\u00e7\u00e3o intramuscular de amino\u00e1cidos de cadeia ramificada (AACR), ou seja, leucina, isoleucina e valina. Desta forma, ocorreria uma diminui\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica desses amino\u00e1cidos, o que facilitaria a capta\u00e7\u00e3o hipotal\u00e2mica de triptofano livre e, conseq\u00fcentemente, promoveria uma maior s\u00edntese de serotonina (ou 5- hidroxitriptamina) a partir do triptofano, desencadeando a fadiga central e, possivelmente, a s\u00edndrome de <em>overtraining <\/em>(Rogero et al, 2005)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fator que pode ser um sinalizador da s\u00edndrome \u00e9 o quadro inflamat\u00f3rio decorrente do exerc\u00edcio. Quando se realiza exerc\u00edcios exc\u00eantricos ou com isquemia muscular, \u00e9 comum que a fibra muscular sofra uma les\u00e3o, com aumentos de enzimas e citocinas plasm\u00e1ticas (resposta inflamat\u00f3ria moderada), que visam a recupera\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o muscular (Barquilha et al, 2010; Smith, 2003; Smith, 2004). Por\u00e9m, quando n\u00e3o se t\u00eam uma recupera\u00e7\u00e3o adequada, essa resposta inflamat\u00f3ria passa a ser sist\u00eamica e prejudicial ao atleta, o que pode acarretar em uma s\u00edndrome do excesso de treinamento (Rogero e Tirapegui, 2003). \u00c9 comum encontrar aumentos de mon\u00f3citos circulantes e citocinas como TNF-alfa, IL-6 e IL-1 durante um quadro de <em>overtraining<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra teoria do <em>overtraining<\/em> \u00e9 a da diminui\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de glutamina plasm\u00e1tica em exerc\u00edcios de caracter\u00edsticas prolongadas, sendo que a glutamina \u00e9 utilizada por v\u00e1rios tecidos, em especial pelas c\u00e9lulas do sistema imune. Assim, uma diminui\u00e7\u00e3o da glutamina plasm\u00e1tica circulante pode interferir negativamente na fun\u00e7\u00e3o do sistema imune, aumentando a suscetibilidade a infec\u00e7\u00f5es do trato respirat\u00f3rio superior, sendo estas freq\u00fcentemente encontradas em indiv\u00edduos com <em>overtraining<\/em> (Rogero et al, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos tamb\u00e9m t\u00eam encontrado altas concentra\u00e7\u00f5es de cortisol, noradrenalina e adrenalina, assim como baixas concentra\u00e7\u00f5es de testosterona, em indiv\u00edduos com overtraining (Hoogeven et al, 1996; Hooper et al, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Question\u00e1rios psicossociais t\u00eam sido utilizados como ferramentas para detec\u00e7\u00e3o do <em>overtraining<\/em>. Neste sentido, um dos mais utilizados \u00e9 o POMS (<em>The Profile of Mood States<\/em>) que avalia componentes relacionados com humor, como a ansiedade, raiva, depress\u00e3o, entre outros. Altera\u00e7\u00f5es dos marcadores do estado de humor s\u00e3o utilizados frequentemente com o diagn\u00f3stico do estado de overtraining (Hoogeven et al, 1996; Hooper et al, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante salientar que a recupera\u00e7\u00e3o de um atleta acometido por essa s\u00edndrome pode demorar cerca de seis meses (Smith, 2000).\u00a0 Ent\u00e3o, uma correta periodiza\u00e7\u00e3o do treinamento faz-se necess\u00e1ria para se evitar essa s\u00edndrome e evitar problemas futuros. A utiliza\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios tamb\u00e9m parece ser uma ferramenta \u00fatil na preven\u00e7\u00e3o dessa s\u00edndrome, assim como a percep\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio atleta ou do respons\u00e1vel pela prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica com rela\u00e7\u00e3o a altera\u00e7\u00f5es que indiquem esse quadro. Antes de entrar em <em>overtraining, <\/em>Rogero e Tirapegui (2003) citam que ocorre um quadro anterior ao de <em>overtraining<\/em>, denominado <em>overreaching. <\/em>Nesta fase que antecedo o overtraining, a detec\u00e7\u00e3o dos sintomas negativos \u00e9 mais f\u00e1cil, assim como seu tratamento. Por\u00e9m, caso n\u00e3o seja controlado, o estado de <em>overreaching <\/em>pode se converter em <em>overtraining.<\/em><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>Barquilha, Gustavo; Moura, NR; dos Reis, SA; Uchida, Marco Carlos; Bortolon, JR; Freitas Junior, PB; Hirabara, SM. Sess\u00e3o de exerc\u00edcios para hipertrofia muscular provoca dano muscular sem diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a (<em>In Press<\/em>). Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 2010.<\/p>\n<p>Rogero, MM; Mendes, RR; Tirapegui, J. Aspectos neuroend\u00f4crinos e nutricionais em atletas submetidos a overtraining.. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia &amp; Metabologia, 49(3), p. 359-368, 2005.<\/p>\n<p>Rogero MM, Tirapegui J. <em>Overtraining <\/em>&#8211; Excesso de treinamento. Nutr Pauta 11: 23-30, 2003.<\/p>\n<p>Rohlfs, I. C. P. M.; et al. Rela\u00e7\u00e3o da s\u00edndrome de excesso de treinamento com estresse, fadiga e serotonina. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v11(5), p. 367-372, 2005.<\/p>\n<p>Raglin JS, Morgan WP. Development of ascale for use in monitoring traininginduced distress in athletes. Int J Sports Med, 15:84-8, 1994.<\/p>\n<p>Smith LL Cytokine hypothesis of overtraining: a physiological adaptation to excessive stress? Med Sci Sports Exerc 32:317-31, 2000.<\/p>\n<p>Smith LL. Overtraining, excessive exercise, and altered immunity: is this a T helper-1 versus T helper-2 lymphocyte response? Sports Med 33:347-64, 2003.<\/p>\n<p>Smith LL. Tissue trauma: the underlying cause of overtraining syndrome? J Strength Cond Res 18:185-93, 2004.<\/p>\n<p>Hoogeven AR, Zonderland ML. Relationship between testosterone, cortisol and performance in profissional cyclists. Int J Sports Med 17:423-8, 1996.<\/p>\n<p>Hooper et al. Hormonal response of elite swimmers to overtraining. Med Sci Sports Med 25:741-7, 1995.<br \/>\n<em> <\/em><br \/>\n<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\"><em> .: Prof. Mestrando Gustavo Barquilha<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.: Preparador f\u00edsico de atletas de alto rendimento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.: Membro do Instituto de Ci\u00eancias da Atividade F\u00edsica e Esporte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.: Pesquisador do <a href=\"javascript:abreDetalheGrupo('28264092X6DNZ8')\">Grupo de Estudo e Pesquisa em Exerc\u00edcio F\u00edsico e Fisiologia Aplicada -GEPEFFA<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>.: Coordenador Cientifico do Simp\u00f3sio Paulista de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atletas de alto rendimento t\u00eam sido cada vez mais exigidos fisicamente, o que t\u00eam provocado uma alta incid\u00eancia de preju\u00edzos causados a sa\u00fade dos mesmos. 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