Pliometria: avaliação

No outro artigo apresentei os aspectos gerais da pliometria. Neste pretendo abordar os aspectos iniciais para o treinamento da mesma. Como em todo início de treinamento, primeiro é necessário saber a condição física atual do nosso atleta. A partir de uma avaliação inicial é que podemos dar a direção correta do treinamento e corrigir os pontos fracos. Para o treinamento da pliometria diversos métodos de avaliação são possíveis: squat jump; salto com contra–movimento; cálculo da altura ótima de queda (Q); dispositivo de Abalakov, entre outros (1) .

Provas de avaliação

Os dois testes que utilizo para avaliar são o Squat jump (SJ) e o Counter–movement jump (CMJ). Estes testes me permitem obter informações críticas além de serem rápidos e de fácil execução. Para a mensuração dos saltos recomendo a utilização de uma plataforma de salto eletrônica – como o JUMP TEST® – pois é bastante prática e precisa, podendo ser utilizada no próprio ambiente de treinamento. Hoje em dia o custo para se obter uma ferramenta tecnológica como essa não é tão alto.

Squat jump: desde a posição de flexão dos joelhos a 90º e as mãos apoiadas na cintura, se realiza um salto vertical máximo. O valor do SJ está relacionado ao nível de força concêntrica das pernas.

Counter–movement jump: desde a posição em pé com as mãos na cintura, se realiza um salto vertical máximo (flexionando e estendendo rapidamente o quadril e os joelhos). O valor do CMJ está relacionado com a capacidade reativa do sujeito, isto é, a capacidade do CAE.

Análise dos resultados

Em função da ação de contra–movimento do CMJ, que põe à prova a capacidade reativa do sujeito, estima–se que um atleta bem treinado pode obter uma diferença em torno de 25% em relação ao SJ (2). Assim, os dados obtidos desses testes permitem direcionar a seqüência de treinamento. Na tabela 01 abaixo segue um exemplo de resultados obtidos nestes testes por atletas juvenis:

A partir desses dados podemos concluir que:

  • João tem muita força, porém muito pouca força reativa.
  • Pedro não é muito forte, mas possui uma excelente força reativa.
  • Luiz é forte e tem excelente força reativa.
  • José é fraco em ambas as capacidades.

Desta forma estão identificadas as fraquezas e qualidades de cada atleta. Para o aumento da força nas pernas podem ser utilizados exercícios como agachamento, afundo e subida no banco (ver a seção vídeos). Exercícios específicos para a capacidade reativa serão discutidos mais profundamente no próximo artigo.

Até mais!

Referências:
(1) Actualizaciones sobre entrenamiento dela potencia. Anselmi, 2006.
(2) European J. Appl. Physiol. 56:138–143, 1987.


.: João Coutinho , preparador físico de atletas juvenis e profissionais de tenis.

.: Bacharel em Esporte pela USP, especialista em prep. física de tênis e de Força e Potencia (Argentina).

.: editor@treinamentoesportivo.com

6 Comentários


  1. OI COUTINHO GOSTARIA QUE VC PUDESSE ME DAR UM AUXILIO,TENHO QUE APRESENTAR UMA PERIODIZAÇÃO SOBRE TREINAMENTO DE LEVANTAMENTO DE PESO.
    A MINHA DUVIDA SERIA QUAIS OS EXERCICIOS QUE PASSAR E A CARGA NO 1º MES DE TREINAMENTO. SE TENHO QUE DAR UM DIA DE DESCANSO NO MICROCICLO POR FAVOR EXISTE A POSSIBILIDADE DE ME DAR ESTA ORIENTAÇÃO.


  2. Ola Alexandre,
    O tema é extenso e depende de uma série de detalhes para a montagem correta de uma planilha de priodização. Por isso mesmo escrevi de forma detalhada no livro (que você pode comprar aqui mesmo no site!) onde você vai aprender como fazer passo-a-passo . Agora dentro das clínicas eu abordo também o assunto no final da parte prática.
    Vou deixar aqui uma das que montei para um de meus atletas, assim você pode usar ela como apoio pra sua apresentação.
    Forte abraço

    Exemplo Planilha LPO:
    http://www.treinamentoesportivo.com/wp-content/uploads/2010/09/planilha.jpg


  3. Boa noite!Eu e minha amiga fizemos curso com Coutinho nesse último sábado.Foi super proveitoso,além da prática tiramos muitas das nossas dúvidas sobre a periodização.Quem puder e tiver a oportunidade de fazer muito bom.Abraços Fabi e Carol Baixada Santista


  4. Ola Meninas,
    fico feliz com o comentário e com a participação das duas aqui na clínica! Aguardo vocês na próxima sobre Pliometria! Forte abraço


  5. bom dia. gostaria de saber qual a relação de pliometria com resistencia de força, ou se são a mesma coisa?


  6. Ola André,
    pliometria é um método de treinamento para aumento da capacidade neuromuscular primeiramente. Portanto não está, nesse modo, relacionado com a resistência de força.

    Ocorre que se o treinador com utiliza um elevado número de repetições ( + 10s de execução)e sendo o salto (uma ação explosiva e multiartcular e portanto exige elevados níveis de gasto energético) o principal exercício pliométrico acaba sendo utilizado o sistema anaeróbio láctico e assim treinando esse sistema.

    Mas entenda que não são a mesma coisa pliometria e resistência de força!

    Forte abraço

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