Controle de Cargas e Lesão

A monitoração da carga de treinamento tornou-se um grande tema da preparação física nos últimos tempos, se tornado também um grande negócio.

Várias empresas apareceram com aplicativos e produtos tecnológicos que são projetados para medir e quantificar a carga de treinamento ou fornecer uma plataforma para que treinadores e esportistas possam inserir seus dados para visualização e análise. Avanços na tecnologia de GPS, acelerômetro e monitores de FC tem impulsionado isso.

Eu mesmo, por exemplo, utilizo dessa tecnologia sempre que posso. Além disso forneço e ensino os participantes a mexerem na minha planilha eletrônica no curso de periodização. Para mim a questão principal não é sobre como quantificar a carga de treinamento, mas o que fazer com os dados obtidos para a tomada de decisão e modificação de treino.

Em um recente editorial publicado, os autores discutiam a utilidade da relação entre a carga de treinamento na semana e a média móvel das últimas 4 semanas , o que eles denominam de relação aguda:crônica da carga de treino.

Os autores sugerem que um grande aumento na carga de treino (> 10%) aumenta o risco de lesões nos atletas com base em suas investigações anteriores. Eles também argumentam que o desenvolvimento progressivo para um aumento crônico na carga de treinamento pode reduzir as lesões.

Sendo assim, no que diz respeito ao retorno ao jogo após uma lesão, os autores sugerem que a lesão possa ser resultado de um treino com baixo índice agudo:crônico de cargas, promovidos pela própria lesão, o que não prepararia suficientemente o atleta podendo voltar a se machucar.

Desenvolver um período com aumento na carga crônica do treino antes de voltar a jogar, provavelmente limitaria as lesões no campo após o retorno. A mensagem central dos autores é que a carga crônica de treino reflete a capacidade e condicionamento geral dos atletas para lidar com o treinamento e a carga aguda tem haver com o controle e gerenciamento da fadiga.

Em temporada a diminuição da carga aguda em combinação com uma alta carga de trabalho crônica (ou seja, redução da fadiga e maior capacidade física) é provavelmente a melhor estratégia para obter o pico Em oposição, um baixo condicionamento com um alto pico de fadiga coloca o atleta em grande risco de lesão.

Portanto, cabe aos treinadores, com os meios tecnológicos atualmente disponíveis ou “a moda antiga” , obter e observar seus dados de carga de treinamento com relação a fadiga (carga aguda) vs o nível de condicionamento (carga crônica) para uma tomada de decisão significativa na modificação no treinamento.
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Nesse ponto a tecnologia atual tem como ajudar bastante os treinadores, mas não inda a ponto de substituí-los…pelo menos no treinamento de alto nível.

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Forte abraço! João Coutinho

ref- Br J Sports Med. 2016 Apr;50(8)

 

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