Exercícios “Complementares” nem sempre pode ser uma boa ideia…

Em um estudo publicado na edição desse mês do Journal of Strength and Conditionig Research, foi verificado que praticantes de musculação (média de 9 anos de prática) tinham uma incidência de dores e problemas no ombro 3 a 5 vezes maior que os não praticantes, sendo que 26% sentiram dores no ombro nas últimas 72 horas (Kolber et al., 2014)! De acordo com as análises, o problema foi relacionado à realização dos exercícios elevação lateral e remada alta, sendo a incidência maior ainda em quem fazia os dois exercícios juntos. Já os básicos, como supinos, barras, paralelas… não deram problemas.

Uma forma de encarar esses resultados é supor que esses exercícios sejam lesivos, mas na minha opinião o problema não está somente nos exercícios, mas também no excesso de uso. Em diversos estudos anteriores, inclusive o do nosso grupo, foi verificado que os feixes anteriores e médios dos deltoides são muito bem ativados em exercícios como supino e crucifixo (McCaw & Friday, 1994; Barnett et al., 1995; Clemons & Aaron, 1997; Welsch et al., 2005; Rocha Jr et al., 2007; Brennecke et al., 2009). Portanto, a utilização de exercícios específicos nem ao menos seria necessária, em princípio. Pior ainda, colocar esses exercícios “a mais” levaria a um volume desnecessário de treino, sobrecarregando a articulação sem trazer benefícios adicionais. Essa mesma visão do excesso de uso gerada pelo isolamento se aplica à articulação do cotovelo, local onde vemos muitos praticantes de musculação, especialmente do sexo masculino, reclamando de dores e incômodos e também nos joelhos femininos, como falado antes.

Portanto, pense melhor antes de “complementar” os treinos com exercícios de isolamento, pois esse desgaste desnecessário de hoje, pode ter consequências futuras! Se, apesar de tudo, ainda for usar exercícios de isolamento, pelo menos use com moderação!!

(Paulo Gentil)

Barnett C, Kippers V & Turner P. (1995). Effects of variation of the bench press exercise on the EMG activity of five shoulder muscles. J Strength and Cond Res 9, 222-227.
Brennecke A, Guimarães TM, Leone R, Cadarci M, Mochizuki L, Simão R, Amadio AC & Serrão JC. (2009). Neuromuscular activity during bench press exercise performed with and without the preexhaustion method. J Strength Cond Res 23, 1933-1940.
Clemons JM & Aaron C. (1997). Effect of grip width on the myoelectric activity of the prime movers in the bench press. J Strength and Cond Res 11, 82.
Kolber MJ, Cheatham SW, Salamh PA & Hanney WJ. (2014). Characteristics of shoulder impingement in the recreational weight-training population. J Strength Cond Res 28, 1081-1089.
McCaw ST & Friday JJ. (1994). A comparison of muscle activity between a free weight and machine bench press. J Strength and Cond Res 8, 259-264.
Rocha Jr VA, Gentil P, Oliveira E & Carmo J. (2007). Comparação entre a atividade EMG do peitoral maior, deltóide anterior e tríceps braquial durante os exercícios supino reto e crucifixo. Rev Bras Med Esporte 13, 51-54.
Welsch EA, Bird M & Mayhew JL. (2005). Electromyographic activity of the pectoralis major and anterior deltoid muscles during three upper-body lifts. J Strength Cond Res 19, 449-452.

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